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“Esta é uma obra de ficção, qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações terá sido mera coincidência”.

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segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Um único jogo, uma lesão.




Dedicado aos meus técnicos: Divanir e Sueli 



2010 e 2011, foram os dois últimos anos "voleibolísticos" mais maravilhosos que vivi.

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Um único jogo.
Foi somente um único jogo que fez com que minha vida mudasse.
Foi em  novembro de 2011, em um jogo extra oficial, um rachão, uma brincadeira.

Durante trinta anos, jogando nas quadras de diversos clubes, era onde eu me sentia realmente plena.
O cheiro do couro da bola em minha pele, o suor escorrendo pelo meu rosto e a adrenalina causada pela partida eram o verdadeiro gozo de minha alma.

Somente quem tem o espírito esportivo e a gana nas  veias é que compreende e apreende  isso.

Todo esse tempo, em uma rotina de treinos físicos e psíquicos tive inúmeras lesões, mas não como esta.

A idade veio chegando de mansinho e com ela, o desgaste de ossos e cartilagens, porém, era um mero detalhe. Com suplementos minerais, colágeno e exercícios de fortalecimento, tudo ia bem.

Todos os dias após os treinos, havia uma rotina severa de fisioterapia para manter meus joelhos firmes.

Poucos dias antes do "dia fatídico" eu estava sentindo um repuxar em meu joelho esquerdo...era uma dor diferente, um incomodo com a lateralidade, um choro sem muita explicação.

Praticamente não fui aos treinos naquela semana e nas sessões com o fisioterapeuta alternei bastante os dias.
Algo estava errado.

Veio, na quinta feira, um telefonema para o tal jogo.
Óbvio, não hesitei.
Era um sábado pela manhã, o que se fazia completamente perfeito. Aliás, quase perfeito...rs. O uniforme que me arrumaram era "um pouco apertado" se é que me entendem. De altura 1,70mts e de 62 kg de peso não caberiam em um uniforme tamanho P...rs. Como era "um time de catada" (cata um jogador daqui e outro de lá) ninguém tinha vestuário caracterizado e personalizado.

Entramos em quadra com um tempo de atraso da hora marcada, o ginásio era uma sauna escaldante, mas estávamos felizes e, particularmente, eu estava muito feliz.
Revezamos todas as jogadoras, brincamos, rimos,gritamos... foi bom demais!

Em um dos ataques senti uma fisgada insuportável, na lateral interna do joelho.
Engoli a dor e continuei o "meu serviço" para com o time. Saltava menos por causa da dor. Já não consegui mais abaixar para recepcionar os saques. Por fim, terminou o jogo.

Não fui almoçar com as meninas. Talvez, somente hoje elas saibam o porque disso.

Voltei para casa e segui, com dor, a minha rotina do sábado.
Ao final da tarde, voltando das compras do supermercado, na garagem de minha casa, pisei em um degrau e    o pior aconteceu. Tive uma luxação da tão complexa articulação.

Os gritos foram megafônicos!
O hospital mais próximo estava a horas luz de distância!
A ressonância magnética constatou: precisa de reconstrução.

Não permiti a cirurgia de emergência! Queria meu médico de confiança.

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O tempo passou, a cirurgia foi feita, os ligamentos refeitos, os enxertos do tendão patelar feitos, a condromalácia (coisa muito comum) foi limpa, os meniscos restaurados e uma prótese instalada. Pronto!

Agora só precisava restaurar a atrofia muscular e entrar nas quadras de novo.

Pesadelo!
Aposentadoria!
Reclusão!
Engano meu!
Ironia do destino!

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A luta tem sido árdua.
A bengala, após oito meses de recuperação, ficou de lado.
A articulação está respondendo e a prótese aderindo.
A fé está inabalada.
A autoconfiança é incrível.
A vontade de voltar a jogar está insana.
A realidade me toma outra vez.

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Agradeço aos meus técnicos pelo esforço, pelas correções e pela dedicação prestada nos últimos dois anos(2010 e 2011).
Agradeço por me tornarem digna de vossa confiança.
Agradeço por terem me ensinado a lutar, de cabeça erguida, a cada treino.

Agradeço as minhas colegas de trabalho, em especial a Lullis, Marisa, Mara, Celia, Lelena,Luciana, Li, Sueli e a Luzi.


Bia Fernandes










Um comentário:

  1. Lindo depoimento amiga.Acredito que este grito estava preso na sua garganta.Foi um desabavo, um desabavo que partiu do coração, pelo sentimentalismo que suas palavras revelaram.Foi comovente ler essa postagem amiga.Um grande abraço.Eu que acompanhei um pouquinho desse seu drama,sei que não foi brincadeira!

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